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Pix: Novas Ferramentas do Banco Central Ajudam Vítimas de Golpes e Erros a Reaver Dinheiro

Publicada em 16/07/25 às 11:49h - 95 visualizações

por Rádio Ibaté


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 (Foto: Rádio Ibaté)
O Banco Central implementou recentemente duas novas funcionalidades para o Pix que prometem mais segurança e agilidade para os usuários que caem em golpes ou realizam transferências por engano. As mudanças visam proteger os consumidores e facilitar a recuperação de valores em situações de fraude.

Bloqueio Cautelar: Ação Automática do Banco

A primeira novidade é o Bloqueio Cautelar. De acordo com as informações, se o banco do recebedor suspeitar de alguma fraude em uma operação Pix, ele pode bloquear o recebimento dos valores por até 72 horas. Durante esse período, o banco irá verificar a fundo se há uma fraude em curso.

A suspeita do banco pode surgir, por exemplo, se a conta recebedora já tiver muitas denúncias registradas, funcionando como uma espécie de "lista negra". Caso o próprio banco constate a fraude, a operação é automaticamente cancelada, e o dinheiro do Pix é integralmente devolvido ao pagador de forma automática. Essa medida agiliza o processo, já que antes era necessário um boletim de ocorrência e a comunicação entre bancos, um processo que demorava e dava tempo para o golpista sumir com o dinheiro.

Mecanismo Especial de Devolução (MED): Sua Ação é Fundamental

A segunda novidade é o Mecanismo Especial de Devolução (MED). Este mecanismo é acionado quando a vítima percebe que foi enganada – como em golpes de falsos parentes pelo WhatsApp, por exemplo – ou quando a conta do golpista ainda não possui histórico de denúncias que acionem o bloqueio cautelar automático.

Nesse cenário, a vítima deve entrar em contato imediatamente com seu banco (seja pelo 0800 ou chat do aplicativo) e solicitar que seu banco contate o banco recebedor para efetuar o bloqueio da quantia. A grande diferença é que agora o próprio sistema do Pix será utilizado para essa comunicação entre bancos, tornando o processo de bloqueio muito mais rápido.

Após a reclamação, os bancos têm até sete dias para analisar se a solicitação da vítima tem fundamento. É crucial que o pagador também registre um Boletim de Ocorrência (BO) junto à polícia. Durante a análise, o recebedor (eventual golpista) não poderá sacar os valores bloqueados. Se for constatada a fraude, o dinheiro será integralmente devolvido à vítima. O recebedor sempre será notificado sobre o bloqueio e as decisões dos bancos. Caso a operação seja legítima e os valores tenham sido bloqueados por engano, o recebedor terá a chance de se defender e provar a regularidade da transação.

O Que Não Está Coberto pelos Novos Mecanismos

É importante ressaltar que esses mecanismos de devolução do Pix não funcionam para todos os casos:

* Desacordos comerciais: Se você comprou um produto e está insatisfeito com a qualidade, por exemplo, o Pix não pode ser usado para reaver o dinheiro.
* Recebimento de boa-fé: Se o recebedor obteve os valores de forma 100% legítima, os mecanismos não se aplicam.

O Que Fazer em Casos Não Cobertos pelo Pix

Para situações que não se encaixam nos novos mecanismos do Pix, o caminho é outro:

* Produto diferente do anunciado: Se o produto comprado não corresponde ao que foi anunciado, você tem opções baseadas no Artigo 35 do Código de Defesa do Consumidor. Você pode exigir o cumprimento forçado da obrigação (receber o produto correto), pedir um produto similar, ou solicitar o dinheiro de volta, podendo até mesmo pleitear danos morais.

* Transferência por engano: Se você transferiu o Pix para a pessoa errada, o primeiro passo é entrar em contato com seu banco para obter o máximo de informações sobre o recebedor e tentar contatá-lo para pedir a devolução. Se a pessoa se recusar a devolver o dinheiro, você pode registrar um Boletim de Ocorrência pelo crime de "apropriação de coisa havida por erro", previsto no Artigo 169 do Código Penal. A pena para esse crime pode ser de um mês a um ano de detenção, ou multa. Caso a pessoa ainda não devolva, será necessário entrar com uma ação judicial para pedir a restituição dos valores. Com os dados do Pix, é possível solicitar ao juiz informações como endereço, nome completo e CPF do recebedor.

As novas medidas do Banco Central são um avanço significativo para a segurança nas transações via Pix, oferecendo caminhos mais claros e rápidos para a recuperação de valores em casos de fraude e erros.



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